Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006
Serviço público televisivo
Ontem à noite, no (enorme) sofá, à espera que chegasse o efeito da substância que (prometidamente) faria chegar o sono, despertei do estado semi-letárgico atraída por alguém que, na televisão, gritava o meu nome.
Foi este o meu primeiro contacto com a nova telenovela da TVI (eu pecadora, me confesso, mas foi só um bocadinho, e sempre posso alegar incapacidade acidental).
A Alexandra Lencastre um bocado badocha a fazer de sopeirinha dos subúrbios e a Dalila Carmo com ar de ter ido à maquina de lavar em programa de centrifugação longa (não que eu tenha como saber, porque lá em casa é a criadagem quam trata da logística).
A dada altura, num diálogo morno :
"Podemos deixar o passado, mas o passado não nos deixa."
Nunca vi tanta verdade concentrada em tão pouco talento.
Voltei a não dormir.


publicado por Laura Abreu Cravo às 12:54
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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006
Fundo de Investimento Mobiliário - perfil agressivo*
*Para investidores com vastos conhecimentos sobre o mercado e horizonte de investimento de longo prazo que estejam dispostos a correr o risco inerente a investimentos em valores mobiliários sujeitos a uma volatilidade muito elevada.
E como o menino já devia saber, depois de arrancada a pele ao crocodilo morto à paulada, eu quero lá saber se os senhores reciclam...


publicado por Laura Abreu Cravo às 17:14
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Amizade na óptica do utilizador
Gosto da proximidade penumbrosa que a distância aparente do "você" permite ao eu e ao tu que fazem parte do nós.


publicado por Laura Abreu Cravo às 16:23
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Instruções no verso
Quanto a ser-se (ou não) user-friendly.
Não deixa de ser irónico que, hoje em dia, grande parte dos pedaços da Criação com que partilhamos o mundo sorvam os manuais de instruções dos ecrans de plasma e dos telemóveis mais elaborados - que cumprem, naturalmente, uma função estética e social mais relevante que a minha, admito- como se das sagradas escrituras se tratasse, e que, ocupados no meio do processamento de tanta informação supérflua, não se detenham para perceber três ou quatro princípios estruturantes para a co-existência pacífica no mundo civilizado.


publicado por Laura Abreu Cravo às 16:01
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Verbena, valeriana, tília, cidreira, camomila, folhas de alface (talos e parte interna da folha), jasmim, flor de laranjeira ou casca seca de laranja, maracujá , maçã, erva-doce, erva-mate...
Infusão, comprimido, xarope, rebuçado...
Confirmado o meu cepticismo quanto aos efeitos e limitações da medicina alternativa, esta noite vou recorrer à artilharia pesada. Sob pena de poder mandar fazer o retrato para "prestadora de serviços do mês". A insónia é um filão inesgotável de horas facturáveis e produtividade.


publicado por Laura Abreu Cravo às 15:48
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Terça-feira, 29 de Agosto de 2006


Quando começo a ver reflectidos no espelho (na pele e no semblante), aqueles sintomas de estagnação que há semanas se vêm mostrando (distúrbios de sono, espírito inquieto) percebo que cheguei a mais um ponto de ruptura. Não sendo — segundo a opinião mais avisada, ou, se preferirmos, o investidor institucional— portadora de um espírito sereno e fácil, nunca consegui mudar por processo evolutivo. Mudança é, por estes lados, sinónimo de revolução e experiência dolorosa (o que, suspeito, explica em larga medida aquilo que sou e em que acredito no que respeita a convicções político-sociais).
Desde sempre que os cheiros me transportaram para situações passadas (comidas da infância, a cera das mobílias casa das avós, o bolo de ananás e mel da tia, os sacos de alfazema nas gavetas da cómoda da mãe, o after shave do pai quando me vinha dar um beijo antes de sair para o trabalho…).
Hoje, a pretexto de um frasco quase vazio, fui tentar comprar um perfume à hora de almoço. O que trago acompanha-me (intermitente mas solidamente) há vários anos, pelo verão. Traz muita tralha agarrada, e, cada vez que o ponho, antes de sair de casa, vejo caras e sorrisos passados (uns mais que outros), torno a ouvir trechos de conversas (algumas áridas outras apenas nossas…). Pior, mesmo, só no primeiro dia em que o torno a usar depois de um longo Inverno. É como se se abrisse um álbum de fotografias com cheiro e textura, é, quase sempre, como uma paulada na nuca, das que não doí mas nos deixa atordoados.
Não deixa de ser estranhamente egocêntrico que alguém recorde momentos passados, não pela recordação do perfume da pessoa com quem, à época, estava, mas pela reminiscência que ela própria usava na altura. Acho que isso dirá muito (senão tudo) sobre a minha capacidade de manter relações emocionais sérias.
Hoje decidi mudar de perfume, e, depois de seis meses em busca do finalmente eleito, quando me preparava para trazer aquela espécie de caderno em branco, não consegui. Percebi que ainda não estou preparada para abdicar dos sítios onde o perfume antigo me leva, a cada nebulização. Mas daqui a uma semana volto a tentar. Porque, ao contrário do que dizia uma música reles de época, recordar não é bem viver.


publicado por Laura Abreu Cravo às 15:21
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006
Rótulos*


Fica bem aos partidários do politicamente correcto dizer que não se gosta de rótulos. Que rotular é uma forma de exercer o preconceito, de estigmatizar o outro.
Ora, eu (i) não sou apologista de quase nada que seja politicamente correcto (a menos que se trate de doutrina convergente com os ensinamentos da Santa Madre Igreja), (ii) defendo o exercício discricionário, por cada um, do direito ao preconceito e (iii) gosto de rótulos.
Porque, na vida, os rótulos raras vezes coincidem, com tanta verdade, ao conteúdo do recipiente, apresentamos os dois rótulos que acompanham este blogue na sua espinhosa existência.
*Em especial para os presentes naquele jantar, no restaurante do costume, numa ilha algures no Atlântico.


publicado por Laura Abreu Cravo às 18:01
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Road Map (1)


A qualidade da fotografia é reles. Mas foi a documentação possível de um fabuloso pôr -do-sol na praia dos Aivados onde este blogue (e outros 2) assentaram arraiais neste Agosto.

Apesar da complicadíssima logística - que implicava sair de casa com 78 mochilas de apoio ao dia de praia, 3 pranchas de Surf, a cadela, os livros, os jornais do dia e de todos os dias anteriores, as revistas semanais e mensais (nacionais e estrangeiras) e toda a estrutura que precede uma noite com jantar e copos sem regresso a casa de permeio(nem vou tecer as considerações óbvias sobre ter sido obrigada, diariamente, a ir sair à noite depois de trocar de roupa num jipe, mas confesso que me livrei de um drama antigo: o de usar roupa ainda com o sal na pele) - foi o regresso a uma casa que eu não sabia (mas já desconfiava) ser tão minha.



publicado por Laura Abreu Cravo às 11:27
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2006
Suspensão da Instância

Nos últimos dias este blogue esteve em auto-gestão. A ultimação dos 745607 assuntos pendentes antes das férias não é um acto inspirador. Corrijo: não inspira nada que possa ser publicado sem expressa menção à utilização linguagem eventualmente chocante.
Até ao fim do mês o Mel com cicuta fica entregue aos leitores. A autora vai a banhos. Mas leva dossiers pendentes. De diversas naturezas.
Desta vez começa-se pelo lugar que, há um ano, me deixou rendida.
Encontramo-nos no alpendre para dois dedos de conversa on the rocks. Ah!... e pure sctoch, por favor. O irish faz-me dor-de-cabeça...


publicado por Laura Abreu Cravo às 14:26
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Fundo de investimento mobiliário para 2007 - Adenda
A imagem infra é apenas o resultado de uma busca no Google images. A sede deste estabelecimento comercial não se encontra, por razões de segurança e segredo do negócio, acessível ao público. Além disso, a autora deste blogue nunca trocaria o soalho centenário do seu covil privativo por uma reles alcatifa cinzenta. De qualquer forma, agradecemos o entusiamo e simpatia com que alguns clientes habituais deste blogue receberam as nossas preocupações decorativas.


publicado por Laura Abreu Cravo às 14:15
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Laura Abreu Cravo
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