Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Um post com idade mental de 5 anos
Quando era menina e ficava em casa por estar doente havia sempre um sentimento misto de desconforto (pela enfermidade) com a liberdade (ainda que condicionada) de saber que o dia seria passado sem obrigações, entre mimos e leituras e programação televisiva de qualidade degradante.
Hoje, enrolada numa manta a maldizer as peculiaridades do ser humano, percebo que o mundo não me reserva, para os dias de moléstia, mais do que a imagem esganiçada de Fátima Lopes pela manhã e, se tiver muita sorte, a distracção longínqua proporcionada pelo torneio de Wimbledon de tarde. Acho que lhe chamam emancipação, mas, francamente, parece-me só uma maçada.


publicado por Laura Abreu Cravo às 14:57
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Seguimos para bingo
A Filigrana deu o mote e eu, avessa a cadeias-de-santo-António, ter-me-ia furtado categoricamente não fosse gostar tanto do que ela escreve que às vezes quase me apetece bater-lhe. como se não bastasse, ainda me ultrapassou pela direita quando arranjou uma das suas 5 vítimas, que, por suas vez, me rapinou mais uma ou outra.
Assim sendo, antes que se animem todos e eu não tenha a quem passar isto, e porque livros são coisa séria e conjugal (sobre a qual falaremos detidamente mais adiante neste blogue), os cinco últimos a partilhar a cabeceira cá de casa foram:

Coração tão branco, Javier Marias
Madame Bovary, Gustave Flaubert
Franny e Zooey, J.D. Salinger
Contos de Tchékhov, volume III, Anton Tchékhov
Anna Karénina, Lev Tolstoi

[Estou, neste momento, quase a arrumar o Vargas Llosa (a tia Júlia e o escrevedor) e a deixar-me seduzir pelos olhares dengosos que o Thomas Pynchon (Gravity's Rainbow) me lança cada vez que passo perto da estante].

Passo a palavra ao Francisco Mendes da Silva, ao Paulo Pinto Mascarenhas, ao Lourenço A. Cordeiro, ao Tiago Machado da Graça e ao Ricardo Gross. It's up to you, boys.


publicado por Laura Abreu Cravo às 14:05
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To empathise


o3:45 No sleep [The Cardigans]

publicado por Laura Abreu Cravo às 06:28
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Voucher [válido para duas pessoas]


publicado por Laura Abreu Cravo às 23:14
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Esta gente sabe coisas (2)
Com uns modos de mulher que frequenta salões de alta sociedade, explicou-lhe que o que perdia os homens era o medo da verdade e o espírito de contradição. Relativamente ao primeiro, fez luz no cérebro do vigilante explicando-lhe que o azar, o chamado acidente, não existiam, eram subterfúgios inventados pelos homens para dissimularem a maldade que tinham.

Mario Vargas Llosa, A tia Júlia e o Escrevedor


publicado por Laura Abreu Cravo às 23:09
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Esta gente sabe coisas
Estava tão perturbado que não conseguia imaginar um castigo capaz de se equiparar à falta. Sentia a mente brumosa, a ira dissolvia as ideias, e isso aumentava a sua amargura, pois o senhor Frederico era um homem em quem a razão decidia sempre a conduta, e que desprezava a raça de primários que actuavam, como as bestas, por instinto e palpite em vez de por convicção. Mas desta vez, enquanto tirava a chave e, com dificuldade, porque a raiva lhe entorpecia os dedos, abria e empurrava a porta de casa, compreendeu que não podia agir serena, calculadamente, mas sim sobre os ditames da cólera, seguindo a inspiração do instante. Depois de fechar a porta, respirou fundo, procurando acalmar-se. Envergonhava-se que aqueles ingratos fossem reparar na magnitude da sua humilhação.

Mario Vargas Llosa, A tia Júlia e o Escrevedor


publicado por Laura Abreu Cravo às 22:58
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Ao contrário do que possa parecer, este blogue não está morto. Só vagamente enlouquecido e esquecido de si mesmo numa pilha de papeis que gritam marcha de urgência e reclamam atenções exclusivas. Ainda assim, no meio do ritmo imposto a toque de caixa pela furiosa clientela institucional — acolhendo já com alguma simpatia a insónia patológica (que não propicia o descanso mas é amiga da incondicional produtividade )— a carcaça que alberga os despojos de um cérebro em tempos ágil regateou com os demónios o alargamento dos dias à exacta medida do tempo certo para (1) no Sábado, dia 23, ir ao CCB ouvir Phillip Glass e ter a oportunidade de lhe apertar a mesma mão que passou uma hora e meia a fazer ecoar 3 singelas notas; (2) no Domingo, dia 24, ir à Quinta da Piedade e, numa maravilhosa tarde de um verão ainda fresco, ouvir Stephen Kovacevich executar primorosamente (i) a Partita nº 4, em Ré Maior, BWV 828, de Bach, (ii) a Sonata para Piano nº 30, em Mi Maior, op. 109, de Beethoven e (iii) a Sonata para Piano nº 22, em Lá Maior, D. 959. de Schubert, ao mesmo tempo que os pássaros cantavam em torno da clarabóia que acolhia o pianista debaixo da qual um piano de cauda parecia não mais do que suspenso sobre a serra de Sintra; (3) na Segunda-feira, ir cumprimentar o novo Museu de Lisboa.
Tudo isto ao mesmo tempo que se fez saber terem nascido novas convicções e desalentos, novas formulações das mesmas vontades e manifestações distintas de quereres afinal, sempre iguais; reclinados numa cadeira, fazendo listas mentais de sensações relevantes e destinatários qualificados, saboreando um bom vinho e as cumplicidades amadurecidas em meias-pipas de carvalho novo português que apresentam, a quem delas possa desfrutar, uma cor intensa rubi, aromas de frutos encarnados combinados com aromas de madeira e uma sensação gustativa cheia, robusta e apimentada.


publicado por Laura Abreu Cravo às 22:53
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Domingo, 24 de Junho de 2007
Toda a gente mente (2)


publicado por Laura Abreu Cravo às 14:32
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Metade do mundo anda entretida a descobrir, dissecar pormenores e fazer saber --a quem nisso tenha todo ou nenhum interesse -- com quem a outra metade do mundo janta, almoça, se encontra e deita. Aqueles de nós a quem os pormenores da vida alheia aborrecem e enfastiam estão, nitidamente, na metade errada.


publicado por Laura Abreu Cravo às 14:01
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
Manual para a caça de elefantes
O obstinado mais astuto sabe sempre quando deve parar de tentar.


publicado por Laura Abreu Cravo às 14:24
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Laura Abreu Cravo
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