Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Consolar os aflitos
Entrou na igreja e ocupou o banco do costume. Àquela hora estaria vazia não fossem as duas senhoras que compunham os arranjos de flores nos altares. Ajoelhou-se e preparava-se para pedir consolo para as suas aflições quando percebeu o essencial. Rezou e saiu rapidamente sem coragem de pedir nada. Não se pode pedir que Ele resolva problemas que não existem senão numa dimensão imaginada, criados pelas ovelhas angustiadas mas não realmente enfraquecidas pelo inevitável. “Consolar os aflitos” implica que a aflição exista enquanto reacção a um problema que não foi criado por nós e não podemos controlar. Quando a solução está nas nossas mãos, à distância da coragem que se possa ter, o mais que se pode  pedir ao Criador é que desça lá de cima e nos pregue um par de estalos. Como só um pai faria.


publicado por Laura Abreu Cravo às 16:12
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if strangers meet
if strangers meet
life begins-
not poor not rich
(only aware)
kind neither
nor cruel
(only complete)
i not not you
not possible;
only truthful
-truthfully,once
if strangers(who
deep our most are
selves)touch:
forever

(and so to dark)
e.e. cummings


publicado por Laura Abreu Cravo às 12:47
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
À Janela



publicado por Laura Abreu Cravo às 17:10
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
tirar o pó ao cachecol
Uma das razões para se querer viver a vida na bancada Sapo (já que estão tão distantes os dias de glória daquela enorme águia) é o facto de, para variar, saber certamente bem estar-se num espaço no qual as pessoas a menos de dois metros de nós — ideologias, credos e episódios traumáticos à parte — querem todas o mesmo, têm um objectivo único, um sentimento comum, um fulgor genuíno e arrebatador que não acaba depois dos noventa minutos. E é assim, mesmo que se vá de derrota em derrota.


publicado por Laura Abreu Cravo às 16:05
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publicado por Laura Abreu Cravo às 15:55
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A chuva já não veio a tempo.



publicado por Laura Abreu Cravo às 12:21
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Bang Bang

 

Morta pelas balas de verdade que alguém deixou ficar numa arma de brincar.



publicado por Laura Abreu Cravo às 16:36
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
Cinzas
A cidade cercada e, em tempos, inatingível foi tomada pelos bárbaros. Os archeiros abatidos um a um, os muros  quase totalmente derrubados e as portas, antes imponentes e intransponíveis, jaziam agora nuas e escancaradas. As casas foram pilhadas, as mulheres violentadas, os velhos mortos e os mais novos levados para uma igreja à qual foi ateado fogo. O Palácio, opulento e senhorial, foi invadido pela horda que bebeu sofregamente dos cálices antes de os partir, rasgou sedas e damascos, quebrou dosséis e estendeu as botas fétidas nos delicados canapés.
Não sobrou um único soldado para contar a chacina do surpreendente e avassalador ataque. Semanas depois os ocupantes saíram deixando cinzas, pó e um cheiro forte de carne apodrecida. Era altura de reerguer os muros. Em silêncio.



publicado por Laura Abreu Cravo às 15:01
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(tri)ciclos de vida
Que o cúmplice se transforme no alvo e no cúmplice outra vez.


publicado por Laura Abreu Cravo às 10:42
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Equívocos
Pensar que as pessoas importantes não (nos) traem. A relevância do agente secretamente integra o conceito de traição. Uma infidelidade levada a cabo por um irrelevante não teve nunca dignidade para chegar aos cadernos quanto mais ser matéria prima para boa literatura.


publicado por Laura Abreu Cravo às 10:24
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Laura Abreu Cravo
Em@il
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