Terça-feira, 23 de Setembro de 2008
Alguém lhes mostrou um mapa?

Mão amiga faz-me chegar a notícia da abertura do primeiro Starbucks em Lisboa no próximo dia 30. Sem grande apego ao paladar do café, mas dependente dos discutíveis benefícios dos seus efeitos, cedo percebi que a minha ligação com o mundo dos que permanecem acordados dependia, em grande medida, da abertura de uma loja do grupo em Portugal ou, a médio prazo, da emigração. Afastada a segunda hipótese, vejo finalmente a concretização da espera e, sentindo já um tall moka a deslizar-me na garganta a caminho do escritório, percebo que a primeira loja vai abrir (*grunhido*) no Centro Comercial Alegro em Alfragide. Se dermos uma olhadela pelo mapa de lojas em Madrid (que concentra as lojas nas zonas do formigueiro do sector terciário) ficamos a achar uma de duas coisas: ou o tipo que fez o business plan para Portugal resolveu vingar um recalcadíssimo complexo de classe ou Alfragide é a nova Las Vegas do mercado financeiro português e eu não dei por nada. Também pode dar-se o caso de terem andado todos a experimentar um novo Starbucks de ginginha. Em doses industriais.



publicado por Laura Abreu Cravo às 15:58
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
A bolha imobiliária

Há um tipo de pessoas que funciona como as ruas paralelas e perpendiculares às avenidas principais. Não tendo valor de mercado autónomo ou intrínseco, acaba por ver a sua cotação inflaccionada por estar bem localizado.



publicado por Laura Abreu Cravo às 13:30
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Interno Feminino

Abro jornais e revistas e vejo entrevistas a mulheres que desempenham um sem número de actividades. E sobre o que incidem estas entrevistas? O mais incauto responderia imediatamente que as mesmas incidiriam sobre um qualquer feito extraordinário, uma descoberta inovadora, um projecto que tenha mudado o país ou mesmo o comum desempenho de uma especial actividade. Desengane-se, caro leitor; ainda que a relevância técnico-dogmática da coisa possa ser levemente abordada, à segunda linha percebemos que a entrevista vai focar-se na e sobre a "condição feminina (revirar de olhos)". Como se consegue ser [preencher com profissão relevante] sendo mulher e como é que a criatura é recebida, compreendida e acarinhada pelos seus colegas do sexo oposto. Mais: se a criatura não for um estafermo, surge a inevitável e digníssima interrogação sobre a compatibilidade entre o reconhecimento profissional e a beleza. Nestas alturas, já um pouco mareada, pergunto aos meus botões porque é que os jornalistas continuam a fazer aquela pergunta idiota e percebo que só há uma resposta possível: há mulheres que gostam.

Vejamos: se, de cada vez que um simpático inquisidor perguntasse a uma senhora “então como é que consegue ser levada a sério pelos seus colegas homens sendo você uma mulher, e, mais ainda, bonita?” a entrevistada, em vez de fazer boquinhas -- enquanto, falsamente, se declara envergonhada -- ou balbuciar qualquer coisa absolutamente inaudível e sem ponta de credibilidade ou veemência sobre a inutilidade da pergunta, o mandasse (a ele e à sua pergunta idiota) para o digníssimo raio que o parta, mais dia menos dia, a pergunta saía de circulação. 
Lamento. As mulheres capazes, inteligentes e muito bonitas não me entusiasmam. Apenas porque, felizmente, conheço muitas. E todas elas se sentiriam absolutamente insultadas com o paternalismo acéfalo do tema.
Quando descobrirem uma tetraplégica que pinte com a boca para sustentar sete filhos, ou uma que seja capaz de arrastar camiões com os dentes, aí sim, podem falar-me de capacidades extraordinárias e invulgares para a condição feminina. Até lá, andamos, pura e simplesmente a lutar pela vidinha. Nós mulheres, os homens e todas as outras criaturas do Senhor. Apre.
 


publicado por Laura Abreu Cravo às 19:09
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
Dry

Os verões de adolescência eram passados sempre na mesma casa, com rotatividade de convivas. No entanto, havia um ponto comum a todos os serões. “Pernoitantes” e visitas dividiam-se em grupos de 4 e jogava-se King durante várias horas. Lembro-me que o perdedor da partida ficava encarregue de prover das bebidas dos restantes, e que isso implicava que se tivesse estabelecido uma regra de contenção de prejuízos que determinava que ninguém seria penalizado duas vezes. Ou seja: o perdedor ficava de fora nas contas do jogo seguinte. Chama-se “ter Dry”. O Dry permitia a justiça das contas e a protecção dos mais inábeis ou azarados. Uma espécie de socialismo aplicado. Dei por mim a pensar que não jogo King há, pelo menos, 6 anos, mas que, nesta mão de jogo, não há Dry, nem justiça distributiva.



publicado por Laura Abreu Cravo às 18:42
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008
Diário de bordo

É certo que certa categoria de condições adversas e pontuais realça o pior do ser humano. Seja por efeito da surpresa, pela inevitabilidade do circunstancialismo ou por mero instinto de sobrevivência. Contudo, raras vezes assisti a demonstrações de humanidade e decência tão válidas como aquelas nascidas de território insuportavelmente árido e hostil. São mais os prisioneiros de uma mesma guerra que partilham de forma abnegada os seus parcos recursos do que aqueles que se isolam na sua pequena ambição.

E isto restaurou parte da minha fé na humanidade. (Em situações-limite, entenda-se, já que no tédio do dia-a-dia a bula continua a prescrever cinismo em doses generosas).



publicado por Laura Abreu Cravo às 19:09
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Normas transitórias

Mudar tudo, a todo o tempo; manter, exclusivamente, o que importa; regressar ao que deixámos sem conseguir esquecer. Este blogue, com autora alterada, aditada e republicada, voltará a entrar em vigor após vacatio legis prolongada.

 



publicado por Laura Abreu Cravo às 18:51
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Laura Abreu Cravo
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