Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
O Tiago Mendes — que, garantem-me amigos comuns (e eu, por princípio cristão, acredito) é bom rapaz — fez mais um dos tours evangelizadores a esta casa. E eu, apesar de espartilhada pelo princípio cristão da tolerância, não resisto aos maus impulsos afinal tão humanos, e não vou oferecer a outra face. Caro Tiago, é sempre um prazer recebê-lo, mas, confiando na sua sensibilidade a par do seu bom senso, peço-lhe que, da próxima vez que cá vier, atenda o rogo de uma pobre humilde católica (pouco versada em filosofia, mas ainda menos dada à hipocrisia relacional) e leia, até ao fim, o que quer que eu tenha escrito (se lhe aprouver, ou, ao menos, nos casos em que pretenda vir a escrever sobre isso).
Neste excerto do meu texto, que o Tiago acusa de ser “levemente Nietzschiano” há uma, achava eu que bastante clara, referência à excepção que, para o caso, releva. A minha desconsideração pelo instituto da piedade (que o Tiago, nitidamente aprecia e entende melhor que eu) reside apenas em achar que a sua aplicação a quem de facto, não necessite, é tão desnecessária quanto ofensiva. Assim, “a menos que se trate daqueles que perderam até a possibilidade de lutar(…)” parece-me sempre mais importante o incentivo e a manifestação de apoio por qualquer outra forma admitida ou prescrita no novo testamento. Significa isto que ando pela rua a pontapear órfãos e rasteirar mutilados de guerra? Parece-me que até o Tiago — que não me conhece e declara não saber que credos professo — responderá instintivamente que não. E bem. Aquilo que eu defendo (arriscando a possibilidade de ser consumida pelo fogo e pelo cheiro a enxofre durante toda a eternidade) é que a Piedade deve ser usada com parcimónia e pouco alarido, deve ser devotada a quem realmente necessite e seja digno dela e não tornada inútil pela sua generalização abusiva.  Aquilo que eu disse, Caro Tiago, é que (i) nunca tratos os meus com piedade (porque os realmente meus, como eu própria, nunca me perdoariam tal coisa) e (ii) deixo a piedade, numa perspectiva generalista e de relacionamento social, para os realmente necessitados. Usar a piedade na lapela é coisa de católico que vai à missa só para ser visto em roupa de Domingo e eu não aprecio a espiritualidade possidónia.


publicado por Laura Abreu Cravo às 12:01
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Comentários:
De aNa a 18 de Outubro de 2007 às 14:28
na mouche!


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Laura Abreu Cravo
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