Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
As moscas

Maldita seja. Esta incapacidade de navegar à bolina no inócuo, de olhar o outro com a dormência do desinteresse. Os problemas tomam forma e logo ela se atira a eles como metal atraído por um íman poderoso. E joga o jogo, salta as barreiras — até cair de exaustão — junta as peças do puzzle que nem assim faz sentido, prevê cenários futuros, movimentos alternativos, formas de iludir o inimigo. To feel strongly about singifica não ter paz. Não descansar por um segundo sequer, porque alguns problemas são vigilantes, recaem no inesperado, afirmam-se a toda a hora, sufocam, ocupam o espaço que não lhes pertence e secam tudo em redor. Afastam as vontades e as ideias e dão lugar apenas à reacção ou à angústia antecipada. Tentamos, sem sucesso, matar o problema ou, simplesmente, ser capazes de lhe ficar imunes. Num segundo momento, contentamo-nos já com a hipótese de recuperar as forças enquanto ele vai e volta (sem nunca deixar de estar presente, fazendo sombra), como com as moscas de verão, ledas do calor e incapazes de apreender a disciplina, que acodem sempre para pousar no braço de onde as tínhamos enxotado.

Até que cedemos ao cansaço, deixamos de produzir uma reacção exterior à agressão, mantemos um sorriso vítreo e vazio enquanto fitamos tudo como um filme do qual deixámos de fazer parte e acordamos, a cada dia, com uma amargura asséptica, quase hospitalar. E as moscas pousam, à sua vontade e fazem sua a casa dos exauridos.


publicado por Laura Abreu Cravo às 11:40
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Laura Abreu Cravo
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