Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Banalidade, um paliativo

Nunca vou perceber os que, por princípio, rejeitam a banalidade. Como se fosse tão somente uma perda de tempo. Não se faz uma vida de banalidades, mas não se pode viver sem elas. São a única forma de quebrar o silêncio sepulcral e doído depois de uma discussão entre duas pessoas íntimas mas, naquele momento, demasiado afastadas pelo perigo iminente de voltar ao assunto que ensombra a paz ainda precária. São a porta de entrada para os mundos fechados dos desconhecidos, esquivos ou magoados e o único registo seguro entre os lados opostos das disputas sérias que distanciam os homens. As banalidades, em muitos casos, são a balsa de salvação que nos impede de sermos afogados nos nossos desvarios emocionais e imprudências linguísticas e palavrosas.

Não creio que quem não tenha nada de sério para dizer deva estar sempre calado. O silêncio é, em si mesmo, tão pesado que só deixa respirar as relações humanas saudáveis e serenas, tão raras e preciosas quanto instáveis.
É certo que as banalidades não acrescentam nem enriquecem, mas são o cimento que impede as relações humanas de ruir, porque distraem e permitem uma convivência entre inimigos, ex-amantes, vizinhos zangados, colegas em competição. São uma manobras de diversão, uma actividade lúdica e artificiosa que, se dominada com mestria, evita a necessidade de, em situações adversas, fazer-se uma escolha que pode ser empurrada para dias mais calmos, saradas as feridas.
Há momentos em que não é preciso dizer muito, desde que se diga alguma coisa, ainda que desimportante.


publicado por Laura Abreu Cravo às 10:35
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Comentários:
De Anónimo a 23 de Abril de 2009 às 10:58
Sad, but true...
E, de facto, tão úteis para preencher os espaços entre as pedras importantes.


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Laura Abreu Cravo
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