Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

 

E lá fui eu, ante um mar de reivindicações domésticas, concedendo largar o meu Cortázar durante umas horas para ver a Valsa com Bashir, filme tremendíssimo ao qual se foi tecendo loas em cada dia dos meses que passaram, de tal forma que me senti oprimida pelo crime cometido em cada dia de o não ter visto.

 O filme é enfadonho. O tema é interessante, a animação é magistral, mas aquilo que me faz estar à frente de um filme — a forma como me mastigam a história — é sofrível. O desfiar dos factos é lento, a abordagem puramente circunstancial e militar, sem a análise política e humana mais vasta que (a mim) interessaria. Armas, o massacre, sangue, cabeças a explodir, famílias fuziladas contra uma parede, o horror, trauma pós-guerra. É forte? Sem dúvida. Mas não é bom. E, se não fossem os bonecos, não seria menos entediante do que um dos tradicionais filmes americanos do género que me deixam particularmente irritada. Nem todas as formas de chamar filhos da mãe aos israelitas podem ser arte.



publicado por Laura Abreu Cravo às 15:12
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Comentários:
De Pedro Correia a 26 de Julho de 2009 às 01:49
De acordo.


De inês a 28 de Julho de 2009 às 11:44
Até posso concordar que o ritmo do filme possa ser algo enfadonho e técnico com as entrevistas aos psiquiatras, veteranos, jornalistas. Mas por favor, não é apenas mais um filme para criticar os israelitas (até porque é feito por israelitas) e sobre mais um massacre.
É sobretudo um filme sobre a memória, como se constrói, como lidamos com ela, como nos protege de traumas. Esse exercício de recuperar a memória que nos é apresentado neste filme aplica-se ao caso de Israel, como se pode aplicar por exemplo à nossa guerra colonial. Nesse sentido, pareceu-me um filme bastante universal.


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Laura Abreu Cravo
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