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Mel Com Cicuta

Without the aid of prejudice and custom I should not be able to find my way across the room. William Hazlitt

Without the aid of prejudice and custom I should not be able to find my way across the room. William Hazlitt

Mel Com Cicuta

13
Mai05

Já não quero os Corn Flakes....

Laura Abreu Cravo
A uma amiga, que perceberá isto melhor que muitos outros, com um especial agradecimento por Madrid, e por tantas outras coisas...

"Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?


Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.


Para quê?...

Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?..."

Fernando Pessoa, 7-1-1935.
13
Mai05

Remédio Santo...

Laura Abreu Cravo
Continuo a detestar as manhãs, em todas as suas vertentes...
Continuo a não suportar conversas sociais antes do meio-dia, e a arrepiar-me quando ouço vozes animadas no percurso até ao escritório...
Continuo a achar que algumas mulheres (as mais estridentes), deviam ser proibidas de emitir sons (seja de que natureza for), antes da sobremesa do almoço...
Continuo a achar que Lisboa, de manhã, tem demasiados sinais de Humanidade para pessoas como eu...
No entanto, descobri o caminho para sobreviver a grande parte disto: Uns headphones e um bom cd de jazz... daqueles que nos transportam para ambientes noctívagos, enevoados e boémios e onde não há lugar a palavras como "dia" e "cedo"...
Este governo tinha razão, a solução para os meus males é o choque tecnológico... deviam distribuir cds portáteis nas farmácias, à laia de Kit de sanidade mental...
12
Mai05

...

Laura Abreu Cravo
"Interestingly, according to modern astronomers, space is finite. This is a very comforting thought-- particularly for people who can never remember where they have left things. "

Woody Allen
12
Mai05

Hoje acordei tão assim...

Laura Abreu Cravo
Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...Sim, o porvir...
Álvaro de Campos
11
Mai05

Um velho conhecido

Laura Abreu Cravo
E não é que o Senhor Dr. Luís Nobre Guedes me tornou a surpreender?

Nobre Guedes foi constituído arguido em caso de tráfico de influências, e eu estou boquiaberta...

Não, obviamente, por algo de ilegal ou vergonhoso que o senhor possa ter feito mas, única e exclusivamente, por se ter deixado apanhar...

É que além de padecer de uma honestidade duvidosa (coisa que já todos sabíamos), também revelou não ser muito ardiloso (coisa de que alguns de nós já desconfiavam mas só agora têm a certeza)...
11
Mai05

Solidão

Laura Abreu Cravo
Não me custa como à maior parte das pessoas que conheço...

Não me pesa, e, por isso, não a carrego como um fardo...

A solidão é, por vezes, a única companhia que consigo suportar...

Gosto de percorrer sozinha as ruas desta cidade que escolhi como minha, de sentar-me sozinha à mesa de um restaurante, de estar, isolada nos meus pensamentos, horas a fio e olhar guloso, nos corredores da Fnac do Chiado...

Perco-me nos meus momentos presentes e passados e riu-me (às vezes alto demais) das piadas que só comigo partilho...

Gosto da solidão porque é uma escolha, uma fuga, e não um beco sem saída...

Gosto da solidão porque a opção seria estar com alguém que não Tu e, isso sim, seria estar profundamente só...
10
Mai05

Será?

Laura Abreu Cravo

A Propósito dos signos, em jeito de conversa de café, contaram-me uma história, a única que me levou a admitir algum fundo de verdade, que me fez rever num signo que dizem ser o meu...
"As águas do rio subiram muito impossibilitando aos animais de pequeno porte a travessia. Um escorpião interpela um elefante, pedindo que o carrague no seu dorso até o lado de lá.
O elefante pergunta, reticente: -Mas não me picarás, não me matarás com o teu veneno?
O escorpião, seguro de si, responde: - Claro que não! se o fizesse morreria também.
O grande elefante acedeu, permitindo que o pequenino escorpião escalasse até ao seu dorso.
Iam já a meio do rio quando o elefante sentiu uma picada, e o frio do veneno que penetrava. Olhou por cima do ombro e perguntou : - Mas... Porquê????
Resposta:-Porque é a minha natureza..."
Eu também não consigo lutar contra ela...
10
Mai05

Madrid II

Laura Abreu Cravo
Mesmo que não perguntes, porque sei que nunca o farias, não agora, não depois do tudo e de nada, procurei-te, por cima do ombro, na minha vida, onde sempre te procuro, até nas ruas de Madrid, onde nunca estivemos sequer...

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