Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mel Com Cicuta

Without the aid of prejudice and custom I should not be able to find my way across the room. William Hazlitt

Without the aid of prejudice and custom I should not be able to find my way across the room. William Hazlitt

Mel Com Cicuta

06
Out06

...

Laura Abreu Cravo
Há algo de fascinante no que o sofrimento moral pode fazer a alguém que nada indicia ser uma pessoa frágil ou fraca. É uma coisa ainda mais insidiosa do que a doença física pode causar, pois não há perfusão de morfina, epidural ou cirurgia radical que possam aliviá-la. Quando caímos nas suas garras dir-se-ia que só nos libertamos dela se nos matar. Não existe nada que se compare ao seu realismo brutal.
Philip Roth, A mancha humana
06
Out06

...

Laura Abreu Cravo




Esta noite, no CCB, Bernardo Sassetti, Mário Laginha e Pedro Burmester lembraram-me o quanto gosto desta peça. Aqui, obviamente reproduzida numa versão menos virtuosa (e tocada a menos mãos) encontrada na aldeia global cibernética.

Esta sempre foi a banda sonora ideial para a parte das histórias de (des)encantar em que o lobo se escondia atrás dos arbustos à espera de apanhar os meninos que iam brincar na floresta. Depois de todo este tempo, e sem que ele esteja cá para me pôr o braço em volta dos ombros como nas partes dessas histórias que me faziam medo, lá fora, continua a haver uma floresta cheia de lobos.

3 Pianos: a perfeição, o talento e a virtude.
02
Out06

Miles ahead

Laura Abreu Cravo
Na altura em que se assinalam 15 anos sobre a morte de Miles Davis, lá fora, está com cara de tempestade. Autumn Leaves, num invulgar dia de Outono também existencial, pelo homem que ensinou as notas a juntarem-se num trompete.

Com um agradecimento pela simpática ajuda e infindável paciência do sempre cavalheiro António Amaral.
02
Out06

Pas-de-deux

Laura Abreu Cravo


Um dia, enquanto dançava (há anos que parecem nunca ter existido de tão distantes), durante um recital, o rapaz que me segurava entre pliês e pas-de-deux começou, subitamente, a ficar muito branco. Sempre com um sorriso nos lábios, dissimulando o (meu) pânico e a sua notória dor física acabámos a peça. Quando saímos do estrado percebi que ele tinha, dede o início, uma agulha (das que usávamos para coser as sapatilhas de pontas, depois de as pontas de madeira serem postas no forno, para endurecer) enfiada no pé.

Apesar da dor indescritível que devia estar a sentir, e da transfiguração mal disfarçada no semblante, os seus movimentos continuaram graciosos, tecnicamente consistentes, perfeitamente compassados.

Hoje percebo que passamos a maior parte da vida em pontas. Mais do que o talento valem-nos a disciplina e a capacidade de abstrair da dor.

Pág. 5/5

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Laura Abreu Cravo

Em@il

Arquivo

  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2010
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2009
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2008
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2007
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2006
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2005
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D