22
Out07
Cinzas
Laura Abreu Cravo
A cidade cercada e, em tempos, inatingível foi tomada pelos bárbaros. Os archeiros abatidos um a um, os muros quase totalmente derrubados e as portas, antes imponentes e intransponíveis, jaziam agora nuas e escancaradas. As casas foram pilhadas, as mulheres violentadas, os velhos mortos e os mais novos levados para uma igreja à qual foi ateado fogo. O Palácio, opulento e senhorial, foi invadido pela horda que bebeu sofregamente dos cálices antes de os partir, rasgou sedas e damascos, quebrou dosséis e estendeu as botas fétidas nos delicados canapés.
Não sobrou um único soldado para contar a chacina do surpreendente e avassalador ataque. Semanas depois os ocupantes saíram deixando cinzas, pó e um cheiro forte de carne apodrecida. Era altura de reerguer os muros. Em silêncio.
Não sobrou um único soldado para contar a chacina do surpreendente e avassalador ataque. Semanas depois os ocupantes saíram deixando cinzas, pó e um cheiro forte de carne apodrecida. Era altura de reerguer os muros. Em silêncio.
