Para evitar a incerteza
Para evitar a incerteza, planeou meticulosamente o fracasso, secou a esperança com precisão cirúrgica e fechou as portas a tudo o que florescesse. Afinal, se se trata, como dizia Beckett, do exercício performativo do “to fail better”; aos de nós que sejam avessos a tripular viagens turbulentas a bordo de balões de ar quente — de irrepreensível efeito estético, mas absolutamente vulneráveis à mais singela alfinetada — resta a certeza apaziguadora do malogro provocado. Sem batalhas homéricas ou vitórias parciais inspiradoras, sem razão de existir que não a absoluta e assertiva eficiência na burocracia de evitar o fracasso. O bálsamo do vazio imputrescível por oposição à dor do incumprimento.
