O Natal
É verdade, Lourenço. Não se trata tanto de não gostar do Natal quanto de não apreciar o espectáculo circense. As nossas lojas são ocupadas por uma horda de ávidos consumidores ocasionais (há uma semana que declarei qualquer loja do chiado território interdito); não se consegue sair de casa para comprar pão sem ter de gramar com 67 pais natais; grande parte dos locais anteriormente civilizados transforma-se numa ode ao material inflamável; e, finalmente (mais grave que tudo o resto) o bruaá das nossas ruas é deposto pelas músicas natalícias, que mais parecem uma marreta, tal a subtileza da abordagem. E ainda usaram a varanda do meu prédio para suporte de uma iluminação de gosto duvidoso. O Natal é quando o homem quiser? Com certeza. Assim sendo, se não se importam, podiam tratar do assunto em Agosto, quando estou fora em viagem. Obrigada.
