Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mel Com Cicuta

Without the aid of prejudice and custom I should not be able to find my way across the room. William Hazlitt

Without the aid of prejudice and custom I should not be able to find my way across the room. William Hazlitt

Mel Com Cicuta

31
Dez08

Queiram desculpar a falta de entusiasmo (ii)

Laura Abreu Cravo

 

Se excluirmos os anos primeiros em que andava em busca de uma percepção do mundo e do meu próprio nariz e algumas esporádicas excepções, as (até agora) 28 passagens de ano que tive ocasião de viver em pouco diferiram de ano para ano. O que (note-se) neste caso concreto, é uma coisa boa. Desde cedo me lembro que a época começava com os preparativos, que passavam sempre pela compra ou confecção (na modista) de um vestido longo, porque no Funchal a coisa se fazia a preceito. Os homens de fato ou smoking, tudo sem pinga de pretensão porque, naquela noite, ricos e remediados e pobres poupados, todos se vestiam melhor — como se fosse a missa — e a igualdade era nivelada por cima.

A meia-noite era passada em casa, com a família e amigos próximos, o que incluía várias gerações de pessoas que se relacionavam desde sempre e se encontravam, ao menos naquele dia, para saudar os que estavam por vir. Os fogos de artifícios não eram apenas uma atracção cénica e visual, mas 8 minutos de intensa purga e libertação das coisas más do ano anterior, sempre com lágrimas nos olhos, emoção contida e intensa, olhando à vez os que nos são importantes, recordando outros que já lá não estavam. Até cerca das 03:00 a festa fazia-se em casa, com novos, adultos, velhos e crianças, em fatiota aprumada; depois, os adultos saíam para as festas dos hotéis (onde, pela primeira vez, aos 13 anos, o meu avô me apresentou aos rodopios ao som de uma big band, homens de fatos escuros e instrumentos dourados). Com o passar dos anos as idas aos hotéis (e aos seus bailes) foram sendo alternadas com outras festas mais posh, sem que tenham, contudo, saído de moda. As discotecas começavam a acolher os que saíam dos hotéis ou festas privadas cerca das 6 da manhã, como se a noite tivesse acabado de começar. Pelas 11 da manhã, com o sol brioso e desafiador já alto, procurava-se um (outro) hotel que servisse pequeno-almoço aos noctívagos, ainda de vestido comprido e smoking, sob o olhar atónito dos turistas que se tinham deitado antes sequer do início da (nossa) noite e se preparavam para o primeiro mergulho do ano, compondo assim aquela sala numa estranha mistura de glamour já decadente e esborratado com a antecipação dos dias de verão.
Dito isto, desculpem se não me entusiasmo com quase mais nada. Feliz 2009.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Laura Abreu Cravo

Em@il

Arquivo

  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2010
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2009
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2008
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2007
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2006
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2005
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D