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Não gosto de ter de admitir que me enganei em relação a uma pessoa, mas, às vezes, isso acontece. A bem da verdade, creio que não cheguei, de facto, a estar enganada, porque isso pressupõe a existência de um erro. Não houve erro nenhum, mas tão-só uma análise continuada de risco.
Digamos que, confrontada com uma criatura na qual, à partida, vislumbrei aptidões mais do que suficientes para vir a comportar-se pobremente, escolhi correr esse risco. É uma forma de defesa como outra qualquer: identificar o perigo e escolher viver com ele ao lado para poder monitorizar os avanços e recuos, analisar as estratégias e (em segredo) divertir-me infinitamente com a mendicidade e falhanço de cada um dos planos ineptos. Os vermes nunca serão capazes de identificar a sua improficiência para passar de ladrões de galinhas a génios do mal. Até para reconhecer o absoluto falhanço é preciso ter capacidades cognitivas que não estão ao alcance de todos.
